Mercado Financeiro

Tecnologia no Mercado Financeiro

Tecnologia no Mercado Financeiro

Que a tecnologia está mudando o status quo no mundo, todos já sabemos. O aumento vertiginoso do processamento e armazenamento computacional está causando impactos disruptivos em várias esferas, das mais diversas áreas do conhecimento e da vida. Com todo este potencial tecnológico, alguns conceitos (antigos, porém na “moda”) como inteligência artificial e machine learning estão rondando a cabeça de muitos gestores de negócio mundo afora. No entanto, os robôs já estão dominando os afazeres humanos ou ainda temos tempo de nos adaptar? O objetivo deste post é tentar esclarecer como essas mudanças têm modificado o panorama de negócios no mercado financeiro.

Mas, o que são “dados”?

Os principais ingredientes das técnicas de inteligência artificial e machine learning são os dados – que nada mais são do que informações armazenadas. Podemos controlar informações sobre preços de ações ao longo do tempo, os registros contábeis de uma empresa, flutuações no mercado de commodities, moedas, etc…

Porém, dados sempre foram coletados por boa parte das empresas. Mas o real fator disruptivo está na magnitude em que conseguimos fazer isso hoje. Com alguns dólares, podemos processar terabytes de informação em servidores dedicados na nuvem, algo inimaginável de se pensar numa planilha de Excel, no seu próprio computador. Também, os bancos de dados estão cada vez mais robustos, permitindo que armazenemos cada vez mais informação. Cerca de 90% de toda a informação gerada até hoje no mundo foi gerada nos últimos 2 anos (e que continua crescendo de maneira exponencial).

Então, surge a pergunta:

Mas vem cá, como todo esse poder computacional está mudando o mercado financeiro?

Desde gestoras de ativos e grandes fundos de investimento, até seguradoras. Os líderes mais antenados do mercado já estão tendo “dores de cabeça” sobre como criar vantagens competitivas através da tecnologia. Veja alguns exemplos:

Áreas de grande impacto da tecnologia, hoje, no mercado

  • Trading e gestão de portfólios

Duas das áreas mais chamativas do mercado financeiro, por estarem sendo frequentemente retratadas em filmes, documentários, etc… Vemos pessoas de terno berrando ao telefone, inúmeras telas de computador com gráficos sinistros, desespero no rosto de quem colocou aquele zero a mais na ordem de compra/venda, entre outros exemplos. Também, são áreas que contratam toneladas de PhDs em física, matemática e ciência de foguetes.

Traders baseados em estratégias discricionárias (decisão baseada na escolha humana) somam apenas 10% do volume negociado em ações. Fundos quantitativos já somam mais de 60% deste volume, mais do que o dobro de uma década atrás.

Marko Kolanovic, Global Head of Macro Quantitative & Derivatives Strategy do JP Morgan.

Essas informações se baseiam nos volumes negociados nos Estados Unidos. O Brasil ainda está engatinhando nesse processo e com informações inconsistentes sobre a atuação de estratégias sistemáticas na gestão de portfólios.

A aplicação da inteligência artificial no processo de decisão se baseia em modelos quantitativos complexos que buscam capturar, através de observações passadas, sinais de mercado que visam automatizar o processo de decisão, tirando o erro humano do jogo. Os modelos de machine learning e inteligência artificial são cruciais no rebalanceamento e adaptação dos algoritmos à dinâmica (que, aliás, é extremamente dinâmica) de mercado.

  • Detecção de fraudes financeiras

Em um relatório da empresa de segurança digital McAfee, foi estimado que fraudes e crimes cibernéticos custam à economia global cerca de U$600 bilhões. Uma boa parcelas desses crimes (e das mais preveníveis) é a de fraudes em cartão de crédito, que vem crescendo de maneira acelerada por conta do aumento das transações online.

Com grandes massas de dados sobre comportamento dos consumidores, os modelos de inteligência artificial e machine learning são muito utilizados para detectar padrões que ferramentas estatísticas tradicionais não conseguiriam detectar.

No Brasil, esta área já é mais desenvolvida em comparação com o segmento de trading e gestão de portfólios, com grandes bancos e financeiras contratando equipes de cientistas de dados para desenvolver modelos de prevenção de crimes cibernéticos.

  • Precificação e gestão de seguros

Num negócio que basicamente deriva da gestão de riscos, é necessário mensurar diversas dimensões de probabilidades: probabilidade de um furacão ou incêndio acontecer, de uma pessoa se tornar inadimplente ou perder o emprego, de um eventual problema de saúde aparecer, etc…

Para isso, a imensidão de processamento e armazenamento de dados veio revolucionar o setor das seguradoras. Hoje, a informação é o novo petróleo, e o negócio das seguradoras possui como alicerce a informação.

A partir de uma precificação e gestão mais assertiva a partir de análise de dados, é possível alocar os riscos de uma maneira mais eficiente e cobrar o valor adequado para cada perfil de cliente.

Carreiras e outros assuntos

A inteligência artificial e métodos de machine learning estão gerando valor em outras diversas áreas do mercado financeiro, mas, para não tornar o post muito extenso, podemos deixar este papo para o bar.

Com essa variedade de áreas de assuntos demandando conhecimentos matemáticos e estatísticos, há muitas possibilidades de novas carreiras. Se pensarmos em palavras-chave, há cientistas de dados, engenheiros de machine learning, analistas de dados, estrategistas quant, etc… Boa parte dos profissionais vêm das áreas de engenharia, matemática, física, economia, estatística, entre outros cursos com foco analítico. Boa parte dessas profissões necessitam de um conhecimento vastamente disseminado na internet.

Com isso, o Clube de Finanças está construindo núcleos de estudo (com foco em análise de risco, conjuntura macroeconômica e análise de empresas) que incluem estudos em modelagem matemática e utilização de programação, como R e Python. Com isso, preparamos os nossos membros para estarem aptos a abraçarem as inovações tecnológicas.

Posted by Gabriel Dias in Derivativos, Programação, 0 comments
Tape Reading: introdução ao tema

Tape Reading: introdução ao tema

Um breve resumo da técnica abordando o histórico e sua aplicação no mercado financeiro atual.

A origem do Tape Reading se remonta nos primórdios do mercado eletrônico em que informações, relacionadas ao volume de compra e venda, eram gravadas em fitas de papel (tapes) as quais sua leitura eram realizadas somente por especialistas, como programadores ou profissionais de mercado, com o objetivo de se reconhecer jogadores (players) dominantes que geravam tendências nos valores dos objetos de investimento e que através deste reconhecimento, podiam adentrar ao mercado numa operação com maior precisão, dado suas intenções de ganho e perda.

Percebe-se então que Tape Reading é uma técnica do mercado financeiro de leitura de fluxo.

Esta técnica fora muito empregada, sequencialmente, pelos negociadores da bolsa de pregão de viva voz, em que se observavam não mais a fita de movimentação, mas sim o comportamento humano dos demais negociadores que representavam o interesse de grandes instituições ou grupo de investidores.

Tal manejo da técnica se consistia na percepção das intenções de negociação de outros negociadores do mercado – buscando-se os maiores e mais influentes -, que uma vez diariamente em relação, são conhecidos e fáceis de compreensão e leitura comportamental. Tendo isto por base, vendo que um influenciador de mercado realiza uma grande operação, segue-se aproveitando de seu fluxo com o objetivo de participar do início de tendência do mercado (para tal influenciador é dado o apelido no mercado de “tubarão”).

No entanto, após o último pregão de viva voz do Brasil, em Junho de 2009, a técnica precisou se reinventar e para isso, os operadores que praticavam Tape Reading adaptaram a técnica para os dias atuais de mercado eletrônico, utilizando-se de outras ferramentas.

Para o uso da técnica atualmente, questões se apresentam, diante das necessidades dos investidores: Posso utilizá-la para swing trade (operação diária)? Posso utilizá-la para day trade (operação intraday)? Posso utilizá-la para investimento no longo prazo? Para todas as questões a resposta é afirmativa, apesar de sua aplicação inicial, quando reformatada, ter iniciado na modalidade de investimento day trade. Mas, para aplicação da técnica nos diferentes horizontes de tempo, se faz necessário o uso de ferramentas distintas para a técnica de Tape Reading. Além disso, é válido ressaltar que esta técnica é bastante empregada no mercado profissional em paralelo com a análise grafista, tendo como foco os ativos que tenham fluxos de operação como Ações, Dólar, índices, Futuro e Opções. 

Apesar de se haver nitidamente uma consideração de que a técnica é quase infalível, a sua realidade é de que seus resultados podem ser tão grandes, quanto ínfimos, para os operadores, comparavelmente aos demais que utilizam outras técnicas, não havendo consenso científico a respeito. Para compreensão maior diante os prós, relaciona-se a precisão da técnica quando em momentos de baixíssima liquidez (observando o book de ofertas), enquanto para os contras há as seguintes definições: Se aplica a mercados de baixa liquidez; Exige baixos custos; Requer ferramentas específicas; Requer muita atenção; Aprendizado Demorado.

Em específico paras as ferramentas, é importante frisar a necessidade de Profundidade Longa de preços (muitos níveis de preço no Book de Ofertas) e baixa latência (execução rápida), o que para isto, geralmente tem de ser uma plataforma paga. Já para o quesito atenção, esta técnica cobrará de seu operador a paciência e condições para o seu uso, dependendo inclusive de questões psicológicas, a exemplo das pessoas que sofrem do Déficit de Atenção.

E para o Aprendizado se faz necessário à prática orientada.

A sua prática relaciona-se ao estudo do comportamento dos agentes do mercado, que especialmente no brasileiro é possível ter conhecimento da origem das ordens, sabendo assim o papel praticado por cada agente durante a formação de valor, tal como um seriado possui sua estória e seus personagens. Assim, não acompanhar o comportamento por um determinado período gera sérios riscos da não mais compreensão dos papéis dos atores na formação de preço, impedindo seu posicionamento eficiente para aproveitamento de oportunidade de investimento.

Pode-se operar por base ao Tape Reading por meio de plataformas que permitem a análise, exemplificado pela ninjatrader da forex, havendo também uma boa conexão (banda larga ou cabeamento), computador com processador regular (ex: I5) e placa de vídeo boa (ex: NVS), tendo especial atenção para com o mouse e teclado, em que ambos devem ser cabeados com o objetivo de se diminuir a latência (ping).

Já diante as ferramentas de avaliação de compra e venda intraday por Tape Reading, devemos observar o Book de Ofertas e Times & Trades. Duas tabelas, que respectivamente nos fornecem informações de posições em stop (operações em espera) e de negociações.

O termo Agressor utilizado neste meio representa a compra ou venda a mercado, pois movimenta o preço, ou seja, agressor é aquele que move tendência (visível no Times & Trades). Para a tabela Book de Ofertas observamos os agentes que permitem liquidez ao mercado, que quando renovadores de suas posições, possuem importante papel na análise, pois serão assim os definidores de topos de fundos. Outros termos comuns são: Batendo, que representa venda; Tomando, que representa compra.

Em uma análise específico-prática de Tape Reading e Robôs, a técnica novamente se faz valer. No entanto, ressaltaremos o uso dos robôs negociadores em que geralmente são muito utilizados por instituições, tais como T-wab (ponderado no tempo) e V-wap (ponderando no volume). O seu uso se faz valer quando o responsável físico negociador (trader) está com demandas que superam sua capacidade de observação e assertiva para definição da realização das operações.

O robô T-wap funciona como um descarregador de uma ordem de grande volume no mercado, na busca de se manter um preço médio alto, em que se faz a distribuição das ordens no tempo. E como o mercado está repleto de tais práticas, observa-se em um curto espaço de tempo o lado com maior possibilidade de vencer. Para o robô V-wap, sua ação é a mesma que a do anterior, mas com a ponderação em volume financeiro realizado do ativo, em que, quanto maior liquidez do mercado no momento, mais despejado será, sendo que o inverso também será verdadeiro.

Quando combina-se o Tape Reading com análise técnica, pode-se adotar como stop de saída (limite para venda do ativo), situação de “paredão” em que claramente, diante o movimento, sabe-se que a quantidade de ordens necessárias para superar a quantidade de suas contrárias em stop deverá ser grande, visualmente, quando comparado com as demais posições de preço. Isto permite realizar posições de stop curtos, inclusive mais curtos do que observado por análise gráfica. Além disso, observando a quantidade de negociadores (players), perceberá se há ou não algum blefe de mercado de um determinado agente que queira impactar o preço sugerindo ação contrária, podendo assim se precaver. E como aproveitamento de oportunidade, desta situação de análise descrita, pode-se realizar pivô de venda, por exemplo.

Outro estilo específico com Tape Reading para ganhos é a entrada na virada de preço, em que nos mercados pouco voláteis, mas com alta liquidez (exemplo: dólar em determinados momentos, DI e algumas ações) procura-se comprar numa posição liquidadora para em seguida entrar em venda na posição seguinte de tendência de mercado, de forma rápida, propiciando assim uma boa posição na fila de liquidações de operações, caso o preço novo de mercado chegue a posição. Exemplo: vendo que as ordens de venda em 49 estão sendo consumidas, você se posiciona em compra rápido e se reposiciona, após, em venda em 50 para ficar próximos aos primeiros na fila de venda.

Abaixo segue o vídeo de Tape Reading, no qual observamos o emprego das técnicas durante o pregão.

Posted by Henrique Rosa in Investimentos, 0 comments
Introdução a funções básicas financeiras no R

Introdução a funções básicas financeiras no R

Se você é um estudante de economia, ou um interessado no assunto, e já parou para pensar “Será que vou me ferrar no futuro por não saber programar?”, com certeza este artigo é para você.

Afinal, existe uma pitada em você de mistura de medo com curiosidade e, com tempo, pode ter certeza, vai ficando maior. Para isso, estamos aqui para desmistificar sobre os primeiros passos, em específico, para programar em R, um software tão potente quanto amplo, com vasta aplicação no mundo de finanças.

O que é R

Direto ao ponto, R é uma linguagem e ambiente para computação estatística e gráficos desenvolvida por John Chambers e colegas na Bell Laboratories, tendo como diferencial a facilidade para plotar gráficos, além de ser de graça e rodar em diversas plataformas, tais como Windows e MacOS.

Em específico, para o mercado financeiro existem diversas aplicações para análises financeiras, sendo muito mais intuitivas para compreender conceitos da economia, a exemplo, os de econometria.

A propósito, com o R é mais fácil baixar dados da internet, cortando o tempo perdido e a chatice de ficar entrando nos sites-fonte para baixar planilhas. Enfim, basta explorá-lo que você poderá fazer qualquer coisa – até criar jogos, apesar de não ser o objetivo do programa.

Para saber mais, indico fortemente fuçar o site do R, além de ler o que está escrito aqui. Neste último texto algumas coisas interessante são citadas como packages (pacotes) e formatação de documentos. Você vai se surpreender quanta coisa dá pra fazer com o R.

No mais, muitos que já tenham ouvido falar sobre o R podem também se perguntar sobre a importância do seu aprendizado para aplicação no mercado financeiro, uma vez que já estão familiarizados com o Excel, e, às vezes, também com o VBA. Para isso, te respondo.

R x Excel

A batalha do século. De um lado, uma plataforma potente e mais complicada, e por outro, uma mundialmente aplicada e aceita, mas com limites. O que escolher?

De início, podemos refletir que programar é tornar o que é complicado simples e rápido. Ou seja, se ater somente ao Excel não vai ajudá-lo a resolver problemas mais complexos de forma eficiente. E nessa, incluo VBA, que apesar de ser uma maneira de tornar o Excel mais divertido, não chega perto do R, que tem o potencial computacional muito maior.

Então, se você quer ser mais eficiente com manipulação de dados, sugiro fortemente o R. No mais, caso não conheça o Excel, também sugiro dar uma olhada nele, já que a grande maioria do mundo corporativo o usa como base (existe uma infinidade de curso de graça na internet para Excel).

Um fator interessante é que o R é bastante intuitivo (não mais que o Excel), com linguagem simples e direta, o que pode ser uma boa maneira para iniciar nos estudos de linguagens de programação.

De qualquer forma, é uma discussão muito extensa e que alguns até me condenariam por essa comparação, mas que em resumo, explica-se nesse gráfico:

Os primeiRos passos

Apesar do trocadilho bobo no título, o que virá a seguir poderá ter muito impacto na sua vida e de repente até despertar uma paixão, então siga-os sem medo de errar. Se houver alguma dificuldade, só mandar nos comentários que faremos o possível para ajudá-lo no processo.

E como tudo começa? Instalando o R…

Para muitos pode parecer uma coisa simples, mas não é. Não queremos vírus e nem baixar coisas inúteis, que também podem ser vírus.

É válido comentar que os passos a seguir incluirão baixar a plataforma R Studio que nos facilitará como meio de escrever códigos e resolver problemas mais rápido.

“RStudio é um conjunto de ferramentas integradas projetadas para ajudá-lo a ser mais produtivo com R. Ele inclui um console, editor de destaque de sintaxe que suporta execução de código direto e uma variedade de ferramentas robustas para traçar, visualizar histórico, depurar e gerenciar seu espaço de trabalho.” – R Studio

Etapas para Instalação do R

  1. Baixar o R: https://www.r-project.org/

CRAN > Escolha o servidor da UFPR (Brazil) > Seu sistema operacional (no caso Windows) > Install R for the first time > Download R … for Windows

  1. Baixar o R Studio: https://www.rstudio.com/products/rstudio/rstudio/download

Installers for Supported Plataforms > Seu sistema operacional (no caso Windows)

Quando você abrir o R Studio, você verá isto abaixo. Confirma? Show!

Introdução ao ambiente R

Vamos começar com códigos simples, e aproveite para ir reaplicando no seu R. Antes, devo-lhes explicar uma coisa importante: todo texto ou código que inicie com o símbolo “#” no R não é lido, ou seja, os textos escritos para a situação abaixo com “#” servirão somente como guia, não tendo impacto na leitura do R caso você copie e cole na plataforma.

Outro ponto importante é que a interface do R está divida em quatro partes as quais vamos nos atentar somente a esquerda-superior(Script) e a esquerda-inferior(Console), sendo que todo código na área Script é salvo, enquanto no Console, é o Script “rodando”, em termos gerais.

Os códigos abaixo serão aplicados no Script no intuito de se observar o comportamento do R e para “rodá-los”, basta clicar Ctrl + R.

Aos primeiros códigos

Vou ensiná-los cinco códigos básicos para aplicação no R e que explicam o funcionamento da plataforma.

# 1: Adição 
3 + 5

Clique Ctrl + R e veja que resulta em 7. Teste com subtração e outras funções matemáticas e veja o resultado. Símbolos: multiplicação “*”, divisão “/”, exponenciação “^”.

A propósito, o Ctrl + R será necessário sempre que quiser que rode um código, como já mencionado.

# 2: Guardando informação 
poupança <- 200

A palavra poupança agora está vinculada ao valor 200. Desta forma criei uma variável chamada poupança que quando quiser, posso requisitá-la na busca de seus valores ou objetos relacionados.:

# 3: Requisitando valores/objetos da variável
print(poupança)

Veja que uma vez que clicou Ctrl + R tanto para a criação da variável, quanto para o “print”, você perceberá que o valor vinculado a palavra será chamado.

# 4: Guardando mais de um dado
Ibm_açoes <-  c(159.82, 160.02, 159.84)

Agora, se você “printar” a variável Ibm_açoes, perceberá que o conjunto de valores aparecerá.

#5: Plotando um gráfico
plot(Ibm_açoes)

Gráfico de pontinho é feio? Temos uma solução: caso você queira uma linha, acrescente o argumento type=l (l de line), ficando: plot(Ibm_açoes, type=”l”).

Fim

Com estas cinco funções espero ter contribuído e atiçado sua vontade de aprender mais sobre R e programação, deixando claro que há uma vastidão de funções, sendo que algumas delas já estão prontas (criadas por outras pessoas membros da comunidade R) que nos facilitam e muito a vida.

#Plus1: não resisti e coloquei uma aplicação com uso de pacotes
install.packages(“tidyquant”) #baixando os pacotes da internet
library(tidyquant) #colocando disponível as funções do pacote no R
apple <- tq_get("AAPL", get = "stock.prices") #pegando os valores da ação Apple
plot(apple$date, apple$adjusted, type="l")

Veja o que acontece. O legal é que você nem precisou ir atrás dos dados. O próprio R fez isso para você através do pacote.

#Plus2: se ficou em dúvida quanto a alguma fórmula, faça, por exemplo
?library

Para aqueles que se interessaram e querem aprender mais sobre a linguagem, fica de sugestão o Curso de Introdução ao R com aplicabilidade em economia do Vitor Wilher, além da plataforma de estudos em programação Data Camp que tem muita coisa boa para R. Ambos pagos, mas que valem a pena considerar o investimento na troca de menos festinhas no final de semana.

Para o próximo mês estarei trabalhando em um artigo dedicado somente aos códigos iniciais não abordados aqui para que vocês possam praticar e desenvolver no R, pelo menos um pouco, sem custo algum a não ser seu “gostei” ou “compartilhar” no facebook. Barato não? 

Seja bem-vindo ao mundo do R.

 

Posted by Henrique Rosa in Programação, 4 comments
Certificações do Mercado Financeiro

Certificações do Mercado Financeiro

Entenda qual certificação você precisa e qual destacará você como um profissional no mercado financeiro.

Existem diversas certificações destinadas à profissionais do mercado financeiro. Diferentes cargos exigem diferentes certificações. Além disso, sua obtenção pode representar um grande diferencial para um candidato à uma vaga de emprego ou até num estágio no ramo.

CPAs: Certificação Profissional ANBIMA

A CPA-10 e a CPA-20 estão entre as certificações mais populares da ANBIMA. A CPA-10 é destinado a profissionais que atuam na venda de produtos de investimento diretamente para o público, em agência bancárias ou plataformas de atendimento.

Essa é a certificação mais barata, custando cerca de R$290,00*, e com certeza a mais fácil de se obter da ANBIMA. Mais de 344.000 certificações CPA-10 já foram emitidas.

A diferença entre a CPA-10 e a CPA-20 é que a última é destinada à quem trabalha vendendo produtos no segmento varejo alta renda, private banking, corporate e de investidores institucionais. Já foram emitidas mais de 89.000 destas certificações e o valor do exame é de cerca de R$460,00*.

O conteúdo dos dois exames é muito semelhante, sendo a CPA-20 a mais abrangente, com foco em fundos e outros produtos oferecidos por bancos. Ambas exigem apenas um conhecimento superficial acerca de finanças, tornando fácil a preparação para a prova. Em contrapartida, são poucos os cargos acessíveis à esses profissionais.

CEA: Certificação de Especialista de Investimentos ANBIMA

A CEA certifica profissionais que assessoram os gerentes de contas de investidores pessoas físicas em investimentos, com poder para indicar produtos de investimento. Além de habilitar assessores de investimentos, a obtenção da CEA torna o profissional um investidor qualificado.

Existem cerca de 2.200 profissionais com essa certificação e ela custa por volta de R$771,00*. O conteúdo do exame inclui grande parte daquilo incluso na CPA-20 porém também cobra conhecimentos de matemática financeira, planos de previdência complementar, gestão de carteira, planejamento financeiro e os princípios do Código de Ética do IBCPF.

Semelhante à CPA-20, o exame não exige um conhecimento muito aprofundado acerca de produtos e investimentos financeiros.

CGA: Certificação de Gestores ANBIMA

A CGA certifica os profissionais que atuam na gestão de recursos de terceiros, com poder para tomar decisões de investimento. A atividade de gestão pode ser realizada por meio de veículos coletivos de investimento, como fundos e clubes de investimento, ou individualmente, via carteiras administradas.

A CGA é com certeza a certificação mais prestigiada e mais difícil da ANBIMA. Existem apenas 896 profissionais com esta certificação. O exame é realizado em dois módulos com o custo em torno de R$617,00* por módulo.

O primeiro módulo, abrange métodos quantitativos, economia, análise de balanços e teoria sobre os mercados de renda fixa, renda variável e derivativos. Também são abordadas questões de ética e legislação dos fundos brasileiros.

O segundo módulo tem um grau maior de subjetividade nas respostas. Nessa etapa, a maioria das matérias trata de teorias como gestão de carteiras de renda fixa, gestão de renda variável, teoria de carteiras, modelos de precificação e gestão de risco e desempenho.

O objetivo da prova é cobrar dos candidatos uma visão geral dos produtos, leis e teorias que envolvem o processo de tomada de decisões de investimentos. Enquanto as CPAs e a CEA são destinadas predominantemente à profissionais envolvidos com vendas de produtos de investimento, a CGA, por sua vez destina-se a certificar gestores de recursos.

Características comuns entre as certificações ANBIMA

Todas as quatro certificações da ANBIMA exigem um acerto mínimo de 70% das questões do exame para sua aprovação.

Não há nenhum pré-requisito para a obtenção das certificações.

Além disso, profissionais certificados com a CPA-20 podem realizar todos os cargos atribuídos àqueles com a CPA-10. E profissionais certificados com a CEA podem realizar todos os cargos atribuídos àqueles com a CPA-20.

As certificações são válidas por 5 anos para profissionais que seguem trabalhando no ramo e válidas por 3 anos para aqueles que não se encontram trabalhando no ramo no momento de vencimento da certificação.

CNPI: Programa de Certificação da Apimec

O certificado CNPI é exigido para os profissionais que irão exercer a atividade de Analista de Valores Mobiliários, conforme estabelecido na Instrução CVM nº 483/10.  

Essa certificação é destinadas a analistas de valores mobiliários atuantes nas seguintes áreas: Administração de Recursos; Consultoria; Análise e Pesquisa Financeira; Investment Banking; Finanças Corporativas; Administração de Riquezas; Relações com Investidores; Vendas e Operações nos Mercados Financeiros e de Capitais.

A certificação está dividida em três categorias: CNPI para o analista fundamentalista, CNPI-T para o analista técnico e CNPI-P para o analista pleno (fundamentalista e técnico).

Existem 3 diferentes tipos de exames, sendo que todas as certificações exigem a aprovação no exame Conteúdo Brasileiro (CB) que aborda assuntos de Sistema Financeiro Nacional, Conceitos Econômicos, Governança Corporativa, Mercados de Renda Fixa, Renda Variável, Derivativos, etc.

Para o profissional ser certificado com a CNPI, além da aprovação no CB ele deve ser aprovado no exame de Conteúdo Global 1 (CG1) que engloba análise de ações, finanças corporativas, relatório financeiros e contabilidade financeira.

Para o profissional ser certificado com a CNPI-T, além da aprovação no CB ele deve ser aprovado no exame de Conteúdo Técnico 1 (CT1) que engloba fundamentos da análise técnica; Teoria de Dow, Conceito de Tendência, Figuras Gráficas, entre outros.

Por sua vez, a obtenção do CNPI-P exige que o profissional seja aprovado nos três exames: CB, CG1 e CT1.

O exame CB custa cerca de R$520,00* e tanto o CG1 como o CT1 custa cerca de R$695,00*. Hoje, existem cerca de 1630 profissionais certificados pela Apimec (somando as três diferentes certificações).

O único requisito das certificações CNPI é a conclusão do ensino superior. Ainda assim, é possível realizar os exames antes da conclusão do curso superior, já que a comprovação do curso superior em qualquer área somente será exigida no momento da solicitação do CNPI.

CFP: Certified Financial Planner

O CFP é destinado a profissionais que atuam em atividades relacionadas em planejamento financeiro pessoal, private banking e gerentes de relacionamento que auxiliam os clientes de alta renda.

O exame de certificação está dividido em 6 módulos: Planejamento Financeiro e Ética, Gestão de Ativos e Investimentos, Planejamento de Aposentadoria, Gestão de Riscos e Seguros, Planejamento Fiscal e Planejamento Sucessório. A taxa de inscrição do exame completo (todos os módulos) é de cerca de R$ 1160,00*.

A Certificação CFP é uma certificação internacional, mas o exame realizado no Brasil é adaptado ao padrões brasileiros. Atualmente existem 2.944 planejadores financeiros certificados no Brasil, enquanto no mundo, o total se aproxima dos 160.000.

A aprovação no Exame é apenas a primeira etapa que o profissional terá que passar para obter sua certificação CFP. Existem certos requisitos que devem ser cumpridos. Após a aprovação em todos os módulos, o profissional deverá comprovar: formação acadêmica e no mínimo, 3 anos de experiência profissional no relacionamento direto com clientes pessoas físicas. Além disso, ele deve realizar sua associação à Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar).

A manutenção da certificação exige que a cada 2 anos o profissional comprove sua educação continuada através de cursos e atividades registrados junto à Planejar, seminários, publicação de artigos e papers, ensinamento de aulas e palestras e participação de outras atividades.

CFA: Chartered Financial Analyst

O CFA é uma das certificações mais prestigiadas do mundo, destinado a analistas e gestores de investimentos. É uma designação equivalente a um título de pós-graduação não acadêmico na área financeira.

O programa está dividido em três níveis: Nível I = conhecimento e compreensão dos conceitos e ferramentas básicas de análise de investimentos. Nível II = aplicação e análise voltados para avaliação de ativos, com foco em contabilidade. Nível III = gestão de ativos e gestão de carteiras.

Todas as provas são em inglês e o Nível III possui questões discursiva. Também é exigido os padrões de contabilidade estadunidenses, como o U.S. GAAP e o IFRS.

Pela complexidade dos conteúdos, é uma certificação que exige meses de estudo por cada nível.

O custo do exame é de cerca de US$ 930* por nível. Hoje, existem cerca de 900 profissionais certificados no Brasil e cerca de 135.000 charterholders ao redor do mundo.

Para inscrever-se nos exames é necessário ter um diploma de bacharelado, ou estar no ano final do bacharelado no momento da inscrição, ou ter 4 anos de experiência profissional, ou ter uma combinação de experiência profissional e graduação que somem pelo menos 4 anos.

Um profissional só se torna um charterholder se, além obter a aprovação nos três níveis de exames, ele possuir quatro anos de experiência profissional, especificamente em decisões de investimento, podendo ter sido antes, durante ou após a aprovação.

A certificação CFA é uma garantia de que o profissional realmente tem amplo conhecimento sobre o mercado financeiro, além de ser comprometido com a atuação ética e transparente, de acordo com as diretrizes do CFA Institute.

 

*Valores de fevereiro de 2017.

Posted by Igor Lodygensky, CEA in Certificações, 1 comment